Terça-feira, Novembro 24, 2009

Vide!

Luiz de Aquino

Uvas densas, tenras,
sumo rico
a buscar solo fértil.

Cheiro da terra
úmida, agridoce,
fonte de vinho e mel.

Galhos de videira: mãos.
Caule: falo ávido de chão
promessa de flor e fruto.

Primavera! Momento nosso
de parir em versos
o gozo das vides.




Do livro De amor e pele, a sair brevemente pela Coleção Verso e

Prosa, da Secretaria Municipal de Cultura (de Goiânia).

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Novembro de letras

Novembro de letras


Luiz de Aquino


Novembro , novembro... Mês do golpe de Deodoro contra seu protetor Pedro II; mês da “intentona” comunista de 1935 (há quem diga que aquele golpe foi um factóide getulista para justificar o plano do Estado Novo), mês da tentativa dos militares da linha-dura contra a posse de Juscelino, em 1955. Para alguns supersticiosos, novembro é “um agosto retardado”. Para mim, mês de bons e maus acontecimentos, mormente se levarmos em conta que o que me parece mau é bom para os que pensam do outro lado do círculo.

Tenho grandes e queridos amigos nascidos em novembro, e isso nos enseja momentos festivos e felizes. Novembro 19, aniversário de Iná (minha prima e primeiro amor quando sequer chegara à adolescência), de Paulo Fernando (irmão escolhido) e de Gisele , linda e cronista. Dia em que a República abriu mão da bandeira que usou por quatro dias e que se tornou símbolo do meu Estado, Goiás. Foi num 19, há quatro anos, que publiquei o meu “As uvas, teus mamilos tenros”, pura poesia erótica.

Infelizmente, dois dias antes, a pianista professora compositora e mulher maravilhosa, a mais importante dentre todas as pessoas nascidas nesta terra mesopotâmia Brasil Central, Belkiss Spenziere, fechou os olhos, negando-nos sua luz. Mas cuidou muito bem, e muito antes, de legar-nos sua arte e seus exemplos de Ser Humano que merece ser referida com iniciais maiúsculas.

Felizmente, há o 18, data de Dona Lousinha, professora-símbolo que há seis décadas é referencial da Educação em Goiás. Claro está que, nos últimos vinte anos, tendo feito por merecer, Dona Lousinha dispensou o giz e as coordenadorias, as diretorias e os horários, mas continuou a ensinar-nos valores de vida, como é da praxe de quem faz jus ao título. Dona Lousinha, este ano, concluiu o seu 89º ano de via, ou seja, já exerce o nonagésimo, no modo como deveríamos contar a idade. A ela, que gerou tantas pessoas encantadoras, o meu beijo de agradecimento. E bem lhe premiou Deus com tais filhos, com quem festejo essa preparação para a fase nonagenária, resumindo-os na pessoa da poetisa Leda(ê) Selma.

E já que me despedi dos fatos tristes, festejo mais aniversários. Meu primo, Antônio Cupertino, e a comadre mui querida Celestina, ambos do dia 13; o poeta, professor, publicitário e doutor em Literatura, Goiamérico Felício, dia 11; meu sobrinho-afim e afilhado em Deus, Rafael Granja, 28; e seu pai Cícero, 22, o mesmo dia da prima e comadre Teresinha Craveiro... Vou parar, porque não tenho cacoete para colunista social e já fico injusto com aqueles a quem não citei. Como não consigo falar nem escrever sem citar minhas paixões, cá estou de volta ao mundo das letras.

Dia 26, meu conterrâneo caldas-novense e irmão de ofício Delermando Vieira tomará posse na Cadeira 26 da Academia Goiana de Letras. O poeta, o mais premiado na história das letras de Goiás, com mais de uma centena de vitórias em diplomas, troféus, medalhas e pecúnia, talentoso e competente, deveria estar na AGL há muitos anos. Mas foi, muitas vezes, “aconselhado” por falsos amigos a adiar sua pretensão em favor de outros, alguns sem os quesitos óbvios para integrar um sodalício de Letras, mas preferidos por seus papéis de realce no meio político e social.

Enfim, o dia de Delermando! Ele é muito bem-vindo à Casa de Colemar.

Ah! Também lá, no casarão da Rua 20 com a Rua 15, na sexta-feira, 27, às 20 horas, farei dobradinha com a jovem e talentosa Lúcia Tormin Mollo. Ela vai lançar seu livro de estréia, “Bazar Oió – A ditadura contra a livraria”. E eu, devo autografar o meu novo livro, “Meia-Ponte do Rosário, Pirenópolis”. Esperamos lá todos os meus leitores, os de livros e os de jornal.



Luiz de Aquino – poetaluizdeaquino@gmail.com – é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Choque de gerações

Choque de gerações


Luiz de Aquino

Não bastassem os locutores com problemas de pronúncia, esses que dizem “Petobrás” e “Eletobrás”, nem os mais crassos erros de regência (time que “perde do” e “o clube que eu torço”) e de concordância (“houveram falhas na arbitragem”), agora é a vez da ignorância vocabular. Um radialista, enaltecendo a façanha do Atlético Goianiense ante o Ceará (4x1), disse que perder de 5x1 para o Duque de Caxias “mexeu com o brilho do clube goiano”. Engraçado... Vai ver, esse moço chama tralha de traia, mas corrige brio por brilho. Na mesma emissora, minutos antes, repórter político dizia que “ações em conjuntas devem ser tomadas” (além da sofrível construção com gerúndio, o moço inventou a fórmula “em conjuntas”, híbrido de “em conjunto” com “conjuntas”, certamente).

Como todo mundo, sou sujeito a errar. Mas tento acertar. E costumo agradecer, pois gosto que mostrem meus erros. Consulto pessoas como Leda Selma, Nilson Gomes e (agora, um tanto menos) minha sempre professora Ecléa Campos Ferreira. Mas há algo de inusitado entre os novos profissionais: um descaso sistemático para com o conhecimento. Pergunto-me: o que se ensina, o que se aprende, o que se faz nas universidades além de desfilar as formas plásticas (como Geisy Arruda), de agir ao modo talibã (como os colegas dela na Uniban) e de “fritar” o cérebro com drogas lícitas e ilícitas, como a tevê nos mostra com freqüência?

Felizmente, existe uma expressiva maioria de adolescentes e jovens que não se deixam levar pela propaganda nefasta nem pelos “ensinamentos” das letras de músicas de consumo fácil, as que induzem ao álcool e aos “baratos” de outras práticas. Sem dúvida alguma, o primeiro copo e a primeira tragada são portas para a “boiada”que vem depois. É preferível embriagar-se de poesia e música.

Em meio a isso, tirei duas ou três horas da semana, fui a Anápolis visitar amigos a quem devia uma prosa direta. Guiado por Luciene Silva, estive com Mozart Soares e José Cunha. Conversamos sobre vida e vivências, visitamos as pedras e argamassa com que, décadas atrás, construímos nosso hoje para os risos e a felicidade do reencontro. Mozart contou-me de ter presenteado Cunha com aquele DVD de Toquinho (uma peça inestimável!), e este me homenageou com dois cedês montados por ele próprio: duas antologias, uma sobre a saudade, outra do que ele considera o melhor da música do Século XX. Excelentes seleções que eu, chato, restrinjo apenas no tocante a uns poucos cantores. Questão de preferência pessoal. Mas nenhuma restrição às músicas escolhidas.

Ouvindo essas pérolas do cancioneiro universal (com nítido privilégio para a produção brasileira, que reporto dos mais justos), viajo novamente pela Língua Portuguesa. As boas melodias recheiam-se de boas letras, que muitas vezes nos chegam como poemas perfeitos. Confiro, nos meus amigos, as cãs (para os menos informados, cãs são cabelos brancos, e não o feminino de cão) e as rugas, em meio às boas lembranças. Somos remanescentes de um tempo em que arte era algo que precisava ter qualidade, e não um borderô de bilheteria ou venda. Era o tempo em que o artista cuidava da boa finalização de seu produto, em lugar de correr atrás do saldo bancário.

Curiosamente, associo esse passeio ao livro que leio estes dias, “Leila Diniz”, de Joaquim Ferreira dos Santos. A famosa atriz que revolucionou o comportamento brasileiro nas décadas 1960/70 (faleceu em acidente aéreo em 1972, aos 27 anos), veio de um lar ateu, criado por várias mães, distante da mãe biológica, acometida de doença mental. Aos quinze anos, exercia o ensino em pré-escola, calcando sua prática docente nos ensinamentos de A. S. Neil, o revolucionário pedagogo de Summerhill.

Em plenos “anos de chumbo” do reinado de Médici, na dinastia das estrelas generais, Leila praticava a liberdade até onde lhe era possível. E ela foi muito além do que se imaginava. Escapou da cadeia e do ridículo, mas morreu muito jovem.

Os estudantes da Uniban neste final de ano 2009 agiriam de modo diferente se conhecessem algo daquela moça de ideias e práticas libertárias.

Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Escreve aos domingos neste espaço.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

A visita do Pastinha

A visita do Pastinha


Luiz de Aquino


Os anos correm, céleres. Renovam a natureza, transformam a paisagem, marcam-nos a pele e os pelos, adormecem lembranças. Mas são os anos passantes que depuram-nos os sentidos e os sentimentos, permitindo-nos a maturidade seletiva a que os contemporâneos mais moços chamam de terceira-idade e eu teimo em repetir velhice.

Gosto de ser velho. Os mais velhos que eu censuram-me, dizem que me antecipo ao tempo. Mas já transpus o “cabo das tormentas” dos sessent’anos, ou seja, o IBGE qualifica-me velho, ainda que eu continue a sonhar como se vivesse uma eterna adolescência.

Um amigo da geração anterior, Isócrates de Oliveira, filósofo e diplomata, nativo de Pirenópolis, dizia, a mim e tantos outros, que “não é necessário envelhecer”. Gostei disso. E acrescento que, de fato, não é necessário envelhecer, ainda que os dias se acumulem em anos que se somam e nos roubam a melanina dos cabelos.

Entendo bem o saudoso Isócrates. De fato, é desnecessário envelhecer-se, porque os sonhos não envelhecem. E viver é sonhar, sempre. Quando moços, sonhamos com o futuro; na casa dos “genários”, sonhamos até mesmo com o que já vivemos. Foi assim que, retornando ao lar quando a tarde ia quase a meio, deparei-me com uma notícia e dois documentos: Mauro Jaime, meu velho amigo Pastinha, esteve aqui. Mary Anne tentou me chamar, mas o celular cumpriu o que se espera dele, ou seja, falhou.

Embeveci-me com os caprichos do irmão das noites. Mauro Jaime, que, feito eu, tem os pés na vetusta Meia-Ponte do Rosário (nossa amada Pirenópolis), sabe tanto quanto eu que boêmios não se fazem nem se tornam: nascem. E ambos nascemos boêmios (amantes da noite que jamais faltam ao trabalho quotidiano, ainda que a jornada de ofício comece nas primeiras horas matutinas). Boêmios são pessoas responsáveis e zelosas, apenas gostam da noite.

Mauro Pastinha deixou-me um mimo valiosíssimo: um cartaz de 1987, dando conta de que Anete Teixeira, que me foi companheira e amada naqueles anos em que nos fazíamos realmente adultos, homenageava Elis Regina no quinto ano do passamento da melhor cantora brasileira de todos os tempos. À minha mulher, ele disse, bem ao seu modo faceiro, que receava causar um constrangimento conjugal, trazendo-me lembrança da ex-companheira. Mary Anne disse-lhe que o passado é vida que não se apaga.

Mauro trouxe-me, ainda, outro presente: um DVD com que me agrada um novo amigo, ainda não visto por mim, mas com quem já permutei notícias e informações, o radialista e jornalista José Cunha. O disco, que vou ver já-já, contém um especial de ninguém menos que Toquinho, instrumentista e compositor da fina flor do nosso cancioneiro.

Eu, que vinha de palestras a estudantes da rede municipal de ensino, feliz por intercambiar com as crianças, sou, nesta quinta-feira (5 de novembro) em que escrevo para o domingo, privilegiado com tantos agrados. Lamentei não ter me encontrado com Mauro, mas já me comprometo com ele: vamos renovar o bate-papo, regando-o com goles gelados de boa cerveja.

Como antes. Como sempre. Como gostamos de conversar.



Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, e escreve aos domingos neste espaço.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Escrito na testa (*)

ou

¿Escrito en la frente? (Cabeza humana)


Luiz de Aquino


Personas sensibles perciben, por el mirar o por la secuencia de gestos, lo que pasa en el alma de los demás. La percepción del alma ajena instruye mucho conocimiento. Pero todos nosotros pensamos ser capases de comprehender de todo, ¿no es mismo? ¿Cuál es la edad de los proverbios? Algunos si pierden en la historia, están en la Biblia; otros surgieron en eterno caminar de la humanidad, rompieron fronteras, sobrevivieran al tiempo vital de lenguas hoy tenidas por “muertas”.

¡Sí… Las ideas sobreviven hasta mismo al idiomas!

La verdad es que ponemos nuestra opinión en todo.

Curiosamente, cuanto más estudiamos un asunto, cuanto más domínanos un tema, menos opinamos sobre él. Tengo amigos que les gustan dar consejo sobre todo. Otros, de buscar defecto en todo, me incluyo entre estos. Un cuadro tarto, en la pared, una letra muerta en lugar incorrecto, la completa ignorancia de la regencia y de la concordancia (cuando profesados especialmente por profesores y periodistas, duele más aun de oírse), la corbata tarta…Ah, la gente percibe ¿no es verdad?

Me gusta recordar los tiempos de la escuela, cuando estudiábamos Platón y su sistema de educación. Parecía cruel aquello del Estado tomar las niños (hijos) de los padres, preparándolos para la vida social, sujetándolos a filtros temporarios profesionales liberales o políticos, las que detuviesen mayor escolaridad (eso sería independiente de la voluntad de las personas, pero seleccionado entre los de mejor aprovechamiento.

En los últimos veinticinco siglos, Platón se mezcló muchas veces en la tumba (para evocar un antiguo dicho popular). O, en la posibilidad de la reencarnación de las vidas posteriores deben tener aprovechado su espíritu de filósofo. ¡Pero cuanta cosa esdrújula se ve por ahí, si considerarnos que el sabio griego estaba correcto! Y debía estar, o no sobrevivieran dos mil quinientos años por sus ideas.

“De médico y de loco, todos nosotros tenemos un poco” dice la sabiduría milenar. Los médicos se multiplicaron en especialidades y mismo en profesiones. En torno de la medicina, surgieron enfermeros, farmacéuticos, bioquímicos, veterinarios, psicólogos… No soy capaz de enumerar todos los oficios derivados, más puede se decir que desde los nutricionistas hasta los peluqueros y los pedicuros (ahora llamados de podólogos) son creas de la medicina.

Pero la petulancia de los “sabios de esquina” es mucho mayor que la simplicidad científica de un filósofo griego. Eso de decir que

que policial que mata bandido merece medalla y dar poder de juzgamiento instantáneo es incorregible a un agente a que compete el vigilar ostensivo, a represión a disturbios y encargos de investigación.

No necesitamos más de jueces promotores y abogados. Si es verdad que bandidos tras escrito en la frente esa condición ¿Será que los policiales saben leer eso? ¿O apenas los deputados electos se saben por allá cuáles artificios?

Escribieron algo en mi frente (en la cabeza), ciertamente. ¿Lo que será? ¿Poeta? ¿Pujador de asunto? ¿Intransigente? ¿Intolerante? ¿Cariñoso?

¡Todo mentira, nadie tiene nada escrito en la frente! Se lo tuviésemos ciertamente tendríamos políticos de mejor calidad. Poeta también, es claro. Pero nadie necesita de votos para ser poeta.

Se los policiales supieran leer eso, aquello brasileño asesinado por la Scotland Yard estaría vivo.


Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) es escritor, membro de La Academia Goiana de Letras.


(*) Esse texto, traduzido pela professora Lindalva Costa (de Goiânia), foi publicado aqui no dia 5 de setembro de 2009. Posto-o novamente como forma de agradecer seu carinho e por ter-me apresentado (virtualmente ao colega da argentino poeta argentino Cesar Ruben Reyna, a quem também homenageio. Luiz de Aquino

Sábado, Outubro 31, 2009

O mico na crítica

O mico na crítica


Luiz de Aquino


Esta semana, passeei meu espírito por um Brasil especial, o Brasil das artes. O Brasil das bandas do interior e das escolas fundamentais e médias, com os tradicionais uniformes e a formação militar (as bandas, por algumas décadas, restringiram-se ao ambiente dos quartéis militares).

Em 1967, um moço mal entrado em sua faixa dos vinte anos, cantou num festival: “Estava à toa na vida, o meu amor me chamou / pra ver a banda passar, cantando coisas de amor”. Esses versos, acasalados com a melodia num arranjo de metais e percussão, reconduziu a nação brasileira às bandas que, atualmente, tentam (e conseguem, felizmente) ressuscitar pelo Brasil afora. Mas “A Banda”, quando apareceu, sofreu um comentário infeliz de um dos críticos que, na época, constituíam o júri do programa de Flávio Cavalcante. Mister Eco (era o pseudônimo do crítico musical) condenou a música, arrematando com a frase: “Banda não canta. Banda toca!”.

Como se vê, o crítico não aceitava a metáfora. Mas, apesar dele e de sua frase, o Brasil inteiro virou banda e cantou coisas de amor. Éramos uma imensa banda de quase noventa milhões de músicos naqueles anos finais da década em que tudo mudou. Mas existem críticos e Críticos. E separá-los é uma função “crítica” que, nós, os mortais menores, temos de fazer, tornando-nos “críticos de críticos”.

Vejam o que contou o jornalista, professor de Literatura e cronista exemplar Sinésio Dioliveira:

“Outro dia li em um site as críticas de alguém sobre o filme “O curioso caso de Benjamin Button”, dirigido por David Fincher e que tem o ator Brad Pitt vivendo o papel de Benjamim. Tal filme é baseado num conto escrito em 1922 por F. Scott Fitzgerald. A mutamba do crítico comeu feio na parte do nascimento do protagonista da história: Benjamin, que nasceu velho, já com 80 anos de idade. Para esse alguém, “o nascimento fugiu da verossimilhança” 
(da crônica “Filme e livro possuem belezas distintas”, no DM, quinta-feira, 29 de outubro de 2009).

Curiosamente, tanto Mister Eco (em 1967) quanto esse “alguém” que Sinésio citou são pessoas que vivem disso, de criticar. É sua profissão, ou, ao menos, seu ofício diletante (e geralmente somos menos imperfeitos nos nossos ofícios diletantes do que no desempenho das nossas profissões). Alguns desses críticos são professores em salas de aula, ensinando errado.

Todos somos alvos fáceis da crítica. Basta-nos atuar na expor ideias e opiniões para, de imediato, sermos avaliados. Eu, que sou leitor há sessenta anos, (aprendi a ler aos quatro anos e nunca mais parei), seleciono, dentre o que leio, o que me agrada, o que me ensina e o me dá prazer.

Nunca procurei Cervantes, Camões, Castro Alves, Machado, Lins do Rego, Jorge Amado, Moacir Sclyar, Bernardo Élis, Lya Luft, Adélia Prato, Gilberto Mendonça Teles, Afonso Félix, Brasigóis Felício, Maria Helena Chein, Heleno Godoy, Décio Filho ou seja lá quem for dentre os meus preferidos para dizer-lhes o que escrever. Apenas os leio.

Mas há quem me procure para “me orientar”.

Gente, isso ofende. Dói, até! Em lugar de dizer-me o que escrever, essas pessoas deviam, sim, escrever sobre o que gostam. Estranhamente, são as pessoas que querem ler sobre as flores, o amor de olhares, a doçura da resignação religiosa. Rejeitam em mim o cidadão comum, o homem que cobra dos poderes e das instituições o procedimento que atenda àquilo de que a sociedade carece.

Fico mais para Geraldo Vandré. Eu falo das flores, mas mostro o canhão.


Luiz de Aquino é jornalista e escritor (poetaluizdeaquino@gmail.com), membro da Academia Goiana de Letras.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Goiânia, 76 anos

Entrevista que concedi a Michelle, da TBC/Cultura, Goiânia, no aniversário da cidade (ocorrido a 24 de Outubro).